A torcida quer A e a direção B. Entenda os erros costumeiros de Ponte e Guarani

Será que dirigentes de Guarani e Ponte Preta realmente querem seus times na Série A? Pelas ações parece que não.

por BRUNO BETELLI

A falta de critério para contratar treinadores e dirigentes em Ponte e Guarani é uma, senão a principal causa, dos resultados pouco expressivos.

Claro que o financeiro pesa como uma causa dos resultados, pois influencia nas contratações, na formação de elenco, comissão técnica e estrutura, mas sem a visão, sem convicção não há dinheiro no mundo que faça um time ser vitorioso. E que convicção os atuais dirigentes têm mostrado a suas torcidas?

E os erros seguidos de tomada de decisão têm alto impacto negativo nas finanças dos clubes. Acertando já é difícil ter sustentabilidade e crescimento. Errando o tempo todo é praticamente impossível.

Como escreveu o inteligente e controverso catalão Ferran Soriano, vice presidente do Barcelona de 2003 a 2008 onde foi 2x Campeão da Liga dos Campeões da Uefa e 3x Campeão Espanhol, a bola não entra por acaso.

Em outro texto falo sobre o livro, mas vamos aos fatos de Ponte e Guarani.

Começando com o Bugre que vive bom momento e sonha com o acesso em 2020 pelo aproveitamento recente que chegou a 80% em série de 5 jogos e está com 69% nos últimos 14 jogos após a derrota no Dérbi.

Veja a história de 2019 e a atual campanha 2020 abaixo. O aproveitamento sugere que o Guarani pode ir mais longe esse ano.

CAMPANHA 2020
Pela história do campeonato, 61 pontos pode não ser suficiente e ganhar pelo menos 6 jogos em 10 nessa altura do campeonato não é pra qualquer time.

Agora confira abaixo a linha do tempo recente
da liderança do Futebol no Guarani:

Fumagali (Abr/19 a Ago/19)

Escolha justificável por ser Ídolo do clube ficou pouco e se envolveu em polêmicas com Thiago Carpini sobre escalação de Ricardinho entre outras coisas. Curta participação como dirigente e hoje atua como agente.

Estevam Soares (16 dias)
Ao final de Agosto de 2019, o presidente Palmeron do Guarani anunciava Estevam Soares como Diretor de Futebol Profissional, mas após 16 dias, Estevam é demitido pelo novo presidente Ricardo Moisés.

Michel Alves (Nov/19 até o momento)

Michel (ex-goleiro profissional) teve seu primeiro destaque como dirigente no Cuiabá ao conquistar o Matogrossense em 2019. No Guarani já foi criticado pela demissão de Carpini e vive na expectativa do time surpreender nesta temporada.

DANÇA DAS CADEIRAS

Em 2019 o Bugre teve 5 treinadores. Em 2018 foram 3, incluindo passagem relâmpago de Fernando Diniz, hoje líder do Brasileirão com o São Paulo.

Nos últimos 5 anos foram 20 técnicos diferentes.

Pura convicção? Parece que não!

Linha do tempo recente de técnicos


no Futebol Profissional do Guarani:

Carpini (Ago/2019-Ago/2020)

Thiago foi demitido após sequência ruim no início do Brasileirão da Série B, mesmo tendo resgatado o time do rebaixamento no ano anterior.

As questões políticas ficaram acima do histórico e do desempenho de 48,9% de aproveitamento em 30 jogos. No histórico recente, atrás somente de Louzer com 54,3% em 54 jogos.

Catalá (Set/2020 — 8 jogos e apenas 1 vitória)

Felipe Conceição (Out/20 —até o momento)

De vice-lanterna a oitavo com 40 pontos e a 10 rodadas do final do campeonato sonhando com o acesso.

No quadro acima você encontra lista com os
treinadores do Guarani nos últimos 5 anos.

Na relação encontra-se Lisca, Diniz e Louzer, treinadores que hoje são destaques liderando o Brasileirão, mas antes não serviam para o Guarani.

Não estavam prontos como estão hoje? O problema era o elenco? Ou a diretoria e conselho? Soma desses 3 fatores? Mais provável que seja isso, porém se houvesse visão e convicção com certeza a história seria outra.

Analisando esse histórico de decisão, qual seria a razão para o Guarani permanecer mais um ano na Série B? (se isso acontecer) Eu não consigo perceber uma visão clara e convicção no trabalho.

E A PONTE PRETA?

Na Ponte a situação é pior. A diretoria da Ponte historicamente vem "alugando alternadamente" os mesmos nomes nos últimos 5 anos.

Alguma coisa está errada. O torcedor enxerga e não aguenta mais.

E veja os fatos na tabela abaixo.

3 treinadores ficaram "revezando" na liderança técnica da Ponte Preta.

Eduardo Baptista assume 2x em 3 anos.

João Brigatti assume 3x em 4 anos.

Gilson Kleina assume 3x em 3 anos.

Qual pode ser o motivo que leva presidentes diferentes a cometerem os mesmos erros? Que empresa manda embora e traz de volta o mesmo líder ano após ano?

Na linha do tempo recente de técnicos
no Futebol Profissional da Ponte temos:

Gilson Kleina (Out/18 a Fev/20)
O Paranaense tem história de 10 anos chegando e saindo da Ponte e nos últimos 3 anos esteve 3x como técnico da macaca. )

João Brigatti (Fev/20 a Out/20 )
História e identificação com o clube não faltaram. Brigatti foi de interino em 2017 a efetivo em 2018 e teve bons resultados, mas caiu em 2020 mesmo em terceiro na Série B. Qual seria a justificativa? Temperamento e atitudes inapropriadas. No mundo corporativo se fala muito em contratar por competência técnica e demitir por incompetência emocional. Erro histórico da diretoria que saiu de cena)

Marcelo Oliveira (Out/20 a Dez/20)
Com 14 jogos e apenas 38% de aproveitamento e pouca identificação com a torcida, apesar de receber apoio da diretoria em meio aos resultados ruins. Qual seria a convicção, a visão ao trocar Brigatti na terceira colocação por Marcelo Oliveira? Apostar na experiência e no histórico vitorioso para retomar o domínio do vestiário?

Brigatti perdeu controle do elenco? Ou não sucumbiu aos mandos e desmandos de diretores e conselheiros como fez Carpini no Guarani? E o hiato de 2 anos fora do Futebol? Os 65 anos de Marcelo Oliveira, isso não foi considerado? Muitas perguntas sem uma resposta razoável.

Abaixo, no gráfico de posição da Ponte ao longo do campeonato, você pode ver que a Ponte chegou a ser líder do campeonato no dia 11/09/20 com 5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas em 9 rodadas. E, depois da vitória sobre o Avaí que a colocou na liderança, a macaca venceu apenas 6 dos 20 últimos jogos. Empatou 5 vezes e perdeu 9.

FALTA DE COMPETIVIDADE

O problema da Ponte é a falta de competitividade. Limitação técnica e cognitiva dos jogadores que permitem que o adversário saia na frente. Sofre muitos gols no primeiro tempo (18x em 29 jogos). Além disso, o time perdeu muito poder no meio campo e no ataque com a saída de João Paulo e Roger.

E o mesmo ocorreu em 2019. O time começa bem, mas cai a partir da décima rodada.

FALTA TUDO NA MACACA
Neste momento a Ponte está sem comando no Futebol além do supervisor CLÁUDIO HENRIQUE “KIKO” ALBUQUERQUE.

E sem técnico, pois o interino Fábio Moreno não convenceu ao repetir os mesmo erros de Marcelo Oliveira na escalação que custou a derrota para o Operário.

Ao contrário dos Clubes da Série A que possuem uma estrutura mais robusta na direção e buscam sempre melhorar, caso do novo presidente do São Paulo, Júlio Casares que anunciou Muricy Ramalho como novo coordenador de Futebol do clube líder do Brasileirão.

Será que Muricy ocupará o lugar de Raí? Trabalharão juntos? Logo saberemos, mas o ponto é…

Será mesmo que dirigentes de Ponte e Guarani querem ser A?

A nota por enquanto vêm sendo C ou menos.

BRUNO BETELLI
Bacharel em Esporte pela EEFE-USP . Na vida profissional começou no Tênis, com 4 anos no marketing da CBT. Já organizou torneios profissionais e internacionais de 2009 a 2012. Depois passou rapidamente pela Koch Tavares, em seguida foi contratado pela BRP, multinacional canadense do segmento de P
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