Adaílton Ladeira, eis aí o descobridor de Vadão

Adaílton Ladeira, eis aí o descobridor de Vadão

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Dezenas de publicações sobre Oswaldo Alvarez, o Vadão, enquanto treinador, podem ser vistas por aí, e aqui no portal da casa. Logo, informações sobre trabalho inovador no Mogi Mirim e trajetória bem-sucedida em Guarani e Ponte Preta são sobejamente conhecidas e reprisadas com a divulgação da morte dele nesta segunda-feira, na iminência de completar 64 anos de idade.

E o Vadão atleta? Justiça seja feita: Vadão só apareceu no futebol por iniciativa exclusiva do ex-treinador de categorias de base Adaílton Ladeira, enquanto vinculado ao Guarani em 1974.

À época, era hábito treinadores e supervisores de futebol folhearem o extinto jornal impresso A Gazeta Esportiva, quando Ladeira deparou com foto de Vadão enquanto atleta varzeano da cidade de Monte Azul Paulista.

No texto, rasgados elogios para o futebol dele, o que despertou-lhe curiosidade. O passo seguinte foi consulta sobre veracidade daquelas informações.

Pronto. Foi quando o ex-presidente bugrino Leonel Martins de Oliveira ordenou-lhe que fizesse uso de seu próprio veículo para buscar Vadão naquela cidade, pois trazendo-o imediatamente ao Brinco de Ouro seria possível amarrá-lo com contrato gaveta.

JUVENIL

Vadão, em 1975
Vadão, em 1975
Dito e feito. Vadão integrou o então juvenil bugrino, pois à época não havia a categoria de juniores, e assim formou meio de campo com o volante Manguinha.

Vadão foi aquele meia-armador canhoto com privilegiada visão de jogo para enfiada de bola, tinha habilidade, mas pesava contra ele lentidão e pouca combatividade na marcação, visto que esta não era a sua característica.

Assim, mesmo no juvenil oscilou e até perdeu a titularidade.

Profissionalizado, a concorrência foi desigual na função: Zenon, Brecha e Davi, com Zenon adaptado como ponta-de-lança, o antigo meia direita.

Aí Vadão acabou emprestado para ganhar experiências, se conscientizar da necessidade de também marcar, até que no Velo Clube de Rio Claro se adaptou de forma aceitável à função de ponta-esquerda que fazia o quarto homem de meio de campo, fechando por dentro.

De volta ao Guarani, a projeção era que ganhasse espaço no novo posicionamento, mas na prática ficou apenas na relação de jogadores prescindíveis, até que o passe fosse liberado.

PREPARAÇÃO FÍSICA

Se nos seletos time montados pelo Guarani não lhe sobrou espaços, a carreira teve continuidade em Paulista de Jundiaí, Noroeste e Botafogo de Ribeirão Preto, entre outros.

Após dez anos como atleta e já graduado no curso de educação física, Vadão projetou exercer essa função no futebol, e contou com ajuda do professor Pedro Pires de Toledo, para trabalhar como adjunto.

Já no Mogi Mirim, iniciou a carreira solo na função, na dobradinha com o saudoso treinador uruguaio Pedro Rocha.

E quando do desligamento do comandante, Vadão foi chamado para interinamente substitui-lo, mas voltou à preparação física com a contratação do treinador Geraldo Duarte. Na saída dele Vadão foi fixado como treinador, e ali começava a história que a mídia conta.

DESCOBRIDOR

Justiça seja feita, portanto, ao descobridor de Vadão, caso de Ladeira, que aos 78 anos de idade está aposentado da função de treinador, mas não descarta volta como supervisor.

Cá pra nós: com a carência de gente da bola nos clubes por aí, certamente Ladeira daria incrível subsídio a dirigentes.

Afinal, parafraseando o saudoso Zé do Piro, 'a maioria conhece bola por ter comido almôndega quando criança'.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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