Carpini abre o jogo em entrevista à Rádio Brasil

Como a entrevista foi reveladora, mostrou algumas contradições, num depoimento de muita sinceridade

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Diferentemente daquelas enfadonhas entrevistas coletivas em sala de imprensa de clubes, nada como uma equipe esportiva de rádio colocar treinador na roda para discussão consistente sobre assuntos diversos do futebol.

Foi o que fez a equipe de esportes da Rádio Brasil, no seu programa vespertino desta segunda-feira, quando, por telefone, o treinador Thiago Carpini, do Guarani, revelou que teve participação em todas as contratações, neste processo de reformulação do elenco.

Logo, aceita o desafio de assumir ônus e bônus do trabalho doravante.

Diante do exposto, se a montagem do elenco de qualidade superior ao ano passado provocar resultados positivos, sejamos justos em reconhecer.

Da mesma forma, convencionando-se a hipótese de que o time não dê liga, e que atletas contratados desafinem, ele não se nega assumir totalmente a responsabilidade.

CONTRADIÇÕES

Como a entrevista foi reveladora, mostrou algumas contradições de Carpini.

“O critério de toda montagem do time foi para que tenha a bola, com capacidade técnica, resgatando historicamente a capacidade do Guarani”.

Ora, se de fato essa nova equipe do Guarani possa ser rotulada de técnica, o indicativo seria de postulante a vaga à segunda fase do Pauslitão

, e não o velho discurso de permanência, com possibilidade de ser pensar em algo mais no desdobramento natural da competição.

ALTURA NÃO IMPORTA

Quando da oportuna pergunta feita pela narrador Alberto César, de como o treinador avalia altura de jogador em time de futebol, inicialmente o profissional se fez de desentendido e questionou:

- Altura pra cima ou pra baixo?

Depois, na rara vez que 'empinou o nariz', recorreu ao exemplo do ex-atacante Romário, pra cravar a sua posição.

“Romário, com um metro e meio de altura, foi um exemplo de que o jogador tem que ter a bola, o drible, finalização”.

Claro que o treinador deixou de citar que Romário foi jogador extra-classe, e muito menos enumerou outros capazes de suprirem falta de altura condizente à bola aérea a desempenho sólido por baixo, dentro da área.

Evidente que no futebol moderno, com proporção cada vez maior de gols de cabeça na chamada bola parada, elevar a estatura de atacantes é fundamental.

RUBENS MINELLI

Carpini sequer havia nascido quando em 1969 passou pelo Guarani Rubens Francisco Minelli, treinador que, dirigindo Inter (RS) e São Paulo, conquistou o tricampeonato brasileiro na década de 70.

De certo desconhece que Minelli, 91 anos de idade, tinha conceitos de montagem de equipes com vigor físico e jogadores altos, para que fossem explorados quer o jogo aéreo ofensivo, quer defensivo.

Como Carpini é principiante na função de treinador, natural se projetar que reformule alguns conceitos na sequência.

Seja como for, abriu o coração na entrevista. Contou que houve significativa redução na folha de pagamento do elenco, e mostrou-se profissional de personalidade, afeito a desafios, e convicção naquilo que faz.

Logo, o torcedor bugrino espera que acerte. Isso ocorrendo, por extensão o vencedor em questão será a instituição Guarani Futebol Clube.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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