Adeus ao jogador e treinador Nicanor de Carvalho Júnior

Comandante tinha perspicácia para controlar ambiente favorável nos clubes que dirigia

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

No Informacão, veja em vídeo mais um dos incontáveis exemplos de cachorro que faz birra quando o dono desiste de estender o passeio, e quer retornar à casa.
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Futebol está de luto com a morte do treinador Nicanor de Carvalho Júnior, 71 anos de idade, na tarde desta quarta-feira.

Não sou exagerado para citar que o velho Nica tenha sido excelente jogador ou baita treinador, mas foi um preparador físico exemplar.

As pessoas têm por norma aumentar a capacidade dos entes queridos que se foram, mas em qualquer atividade de comando Nica tinha perspicácia.

Nicanor: jogador, fisicultor e técnico
Nicanor: jogador, fisicultor e técnico
Jogou na própria Ponte Preta em 1968, naquele time formado por medalhões que não garantiu acesso à divisão principal do futebol paulista.

Como preparador físico da própria Ponte Preta, fez de conta que não viu um então meia do elenco cortar caminho algumas vezes, em corrida no Bosque dos Jequitibás.

Nica sabia que tudo seria compensado nos jogos, com a doação em campo do atleta.

TREINADOR

Como treinador, Nica foi prático. Nada mirabolante, mas sabia transmitir aos atletas a vivência no futebol. Por isso foi bem-sucedido.

Singularidade pôde ser testemunhada em seu comportamento quando de inadequado rendimento da equipe pontepretana.

Na preleção que antecedeu treino coletivo apronto, no Estádio Moisés Lucarelli, em véspera de jogo, ‘chamou na chincha’ a boleirada e programou as devidas correções.

Já no gramado, como os berros foram insuficientes para colocar a boleirada no ‘prumo’, a indignação foi demonstrada de outra forma: sentou no banco dos reservas e passou a folhear páginas do finado jornal A Gazeta Esportiva, enquanto seu auxiliar apitava o treino.

Isso fez lembrar o também saudoso treinador João Avelino - o popular 71 -, que irritado com o péssimo desempenho dos jogadores do Taquaritinga, em jogo contra o Guarani no Estádio Brinco de Ouro, em meado dos anos 80, sequer entrou no vestiário, no intervalo, para dar instruções.

Na ocasião, ele foi flagrado pelo saudoso repórter de rádio Paulo Moraes sentado em cadeira no final do túnel, descascando laranja.

- João, e as instruções pros jogadores ? - indagou Paulo Moraes.

Com bagaços da laranja ainda mastigados, Avelino respondeu.

- Falar e não falar pra esses caras é a mesma coisa.

JAPÃO

Nica foi um comandante que agregava grupo, era leal, percebia rapidamente situação de desconforto no ambiente, e, como treinador, seus melhores momentos foram no Japão.

Assim, que a família seja confortada.

Não cabe a demagógica frase para que descanse em paz, até porque mortos não ouvem, nem leem.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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