Se a Ponte for finalista, já sabe o que fazer para buscar o título

Consistência defensiva do Corinthians foi facilitada porque o Inter não usou velocidade

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

A tremenda vantagem de Ponte Preta e Corinthians nesta semifinal do Campeonato Paulista induz os seus respectivos torcedores a projetarem final entre ambos, após rodada do próximo final de semana.

Logo, o pontepretano de certo assistiu ao empate de Corinthians e Inter (RS) por 1 a 1, pela Copa do Brasil, com avaliação sobre caminhos alternativos que supostamente poderiam ser adotados pelo time caso seja, de fato, confirmado como finalista.

Cabe completar a informação que após o empate nesta quarta-feira, na Arena Itaquerão, a definição ocorreu através das cobranças de pênalti, e o Inter segue na competição após converter quatro cobranças contra três do adversário.

Bom, como o Corinthians chegou cedo ao gol, através de Maicon, optou por se resguardar e tentar puxar contra-ataques acionando o rápido atacante paraguaio Romero, porém atrapalhado na maioria das jogadas.

Como o Inter roda a bola demasiadamente, até teve maior volume de jogo. No entanto, apenas o meia Valdívia sabe conduzi-la visando penetração. Assim, o trabalho de marcação dos corintianos foi facilitado.

Quando se supunha reorganização do time corintiano ao recuperar a posse de bola, as jogadas não fluíam por excessivos erros de passes e pouca mobilidade de meio-campistas, laterais e do atacante Jô.

Assim, o Inter restabelecia a posse de bola facilmente, a exemplo daquilo que ocorreu com a Ponte Preta contra o Palmeiras, domingo passado.

FACNER

Um dos erros ofensivos do Inter, que a Ponte deve evitar caso chegue à final, seria insistência em atacar pelo lado esquerdo. Tem-se que considerar que o lateral-direito Facner, do Corinthians, é bom marcador.

Logo, seria indicado centralização de jogadas ofensivas sobre o lateral-esquerdo Arana, que mostrou dificuldades quando o Inter forçou o setor dele.

Aquela consistência de marcação mostrada pelo Corinthians, com recuo dos meias Jadson e Rodriguinho, além das frequentes recomposições de Romero, só terá chance de ser quebrada se o adversário colocar em prática jogadas de velocidade.

Se a Ponte, no caso, optar por rodar a bola com lentidão, como fez o Inter, dificilmente encontrará atalho para penetração.

O Inter insistiu em levantamento de bola nas proximidades da grande área.

PABLO

Aí, verificou-se erros de posicionamento do zagueiro corintiano Pablo no jogo aéreo, quando se preocupou em marcar a bola e se descuidou de jogador adversário.

Nem por isso essa jogada seria recomendável pela Ponte, sempre reforçando a hipótese de ser finalistas contra o Corinthians. Ela não dispõe de meias e atacantes cabeceadores.

Por outro lado, foi observado que essa falha de Pablo foi prontamente corrigida em lances de bola parada, quando o Corinthians concentra quase todo o seu time em sua grande área, deixando apenas um jogador na expectativa de rebote, para valorizar a bola.

Outra situação vista após o Inter ter chegado ao empate, em gol contra de Facner, foi o Corinthians ter se lançado ao ataque, e com isso se desguarneceu.

Isso implica que se a Ponte sair à frente do placar logo no início, de certo vai encontrar espaços a serem explorados.

Elucubração? Sim, optei pelo exercício de futurologia convencionando-se a hipótese de Ponte e Corinthians decidirem o título paulista.

Caso isso não se confirme, não seja zombeteiro. É melhor armazenar plano de jogo para não se começar a pensá-lo apenas no início da próxima semana.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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