Alvo do Palmeiras, Heinze tem temperamento explosivo e preza jogo ofensivo

Perfeccionista, meticuloso e de temperamento explosivo, o argentino não permite interferências em seu trabalho

por Agência Estado

São Paulo, SP, 27 - Principal nome cotado no momento para assumir o Palmeiras, Gabriel Heinze, de 42 anos, é um treinador muito diferente dos técnicos brasileiros, em vários aspectos, e até de parte de seus compatriotas. Perfeccionista, meticuloso e de temperamento explosivo, o argentino não permite interferências em seu trabalho, gosta de ter o controle dos ambientes em que está inserido e valoriza o jogo ofensivo e de intensidade.

Depois de se irritar com o espanhol Miguel Ángel Ramírez, que preferiu permanecer no Independiente del Valle, do Equador, o Palmeiras manteve sua busca por um estrangeiro, impulsionado pelo sucesso dos técnicos "importados" e tem como principal alvo Heinze. Os dirigentes conversaram com o argentino, que pediu alguns dias para analisar o elenco e também outros aspectos do clube. Ele havia feito o mesmo antes de fechar com o Vélez Sarsfield, seu último time.

Alvo do Palmeiras, Heinze tem temperamento explosivo e preza jogo ofensivo
Alvo do Palmeiras, Heinze tem temperamento explosivo e preza jogo ofensivo
O salário não é um problema para Heinze, tanto que valores ainda nem sequer foram discutidos na negociação. O mais importante é o projeto oferecido a ele. Se entender que terá autonomia para capitanear um bom projeto esportivo, é muito provável que diga "sim" ao Palmeiras.

"Não é um treinador preso apenas ao campo. Se vai ao clube, quer ter preponderância, poder para implementar suas ideias. Se o Palmeiras lhe oferecer um projeto nessas condições, terá muitas chances de a negociação ter um desfecho positivo", considera o jornalista argentino César Luis Merlo, da TyC Sports, que tem conhecimento da personalidade e do trabalho do técnico.

ENTENDA
Mas por que Heinze interessa ao Palmeiras? Na visão da diretoria, o argentino tem as características que o clube procura no momento. O presidente Maurício Galiotte e o diretor Anderson Barros deixaram claro que buscam um treinador capaz de implementar ideias modernas e um estilo de jogo ofensivo e de agressividade.

O técnico se notabiliza por isso e também possui outro atributo que os dirigentes palmeirenses perseguem: a capacidade de trabalhar com os jogadores oriundos das categorias de base, algo que ele fez no Vélez, o qual tirou da zona de rebaixamento e levou às primeiras colocações do Campeonato Argentino. O treinador deixou o clube em março de 2019, após quase três anos. O motivo teria sido desentendimentos com a direção. Ele começou a trajetória como treinador no Godoy Cruz, em 2015, e também teve sucesso no Argentino Juniors, que conduziu à primeira divisão.

"Com o Argentino Juniors ascendeu à primeira divisão e sua equipe jogava um futebol de alto nível. Mesclando cadência, com intensidade, e muitos jogadores subindo ao ataque. No Vélez saiu da zona de rebaixamento e deixou o time na zona de classificação às copas", enfatiza Merlo.

"Após assumir Argentinos Juniors, que se encontrava na série B da Argentina com um elenco muito jovem, realizou uma campanha excepcional com uma proposta agressiva, ousada, corajosa, e conceitualmente muito trabalhada. Convenceu o vestiário de sua proposta. Assumiu toda a responsabilidade do grupo absorvendo toda a pressão, e conquistou o título e assim o acesso à Série A", reforça Leonardo Samaja, coordenador da Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA) no Brasil.

AGRADAM
Os seus trabalhos agradaram os dirigentes do Palmeiras, que, além dos resultados, avaliaram positivamente a maneira como Heinze enxerga o futebol e viram nele a capacidade de recuperar atletas em baixa. Outro ponto positivo é a sua larga experiência na Europa como jogador. O argentino foi zagueiro e lateral e passou por grandes clubes do futebol mundial. Atuou no Paris Saint-Germain, Manchester United, Real Madrid e Roma, e foi treinado por treinadores renomados, como Alex Ferguson, Didier Deschamps e seu compatriota Marcelo Bielsa, hoje no Leeds United.

"Heinze tem um temperamento muito forte. Era assim como jogador e é assim também como técnico. Tem um perfil explosivo e suas equipes possuem uma intensidade tremenda", diz o jornalista argentino.

"Trata-se de um treinador de grande personalidade e líder. Assim foi como jogador, líder e capitão das maiores equipes no futebol de elite, assim como na seleção nacional. Exemplo de grupo. Dessa mesma forma age com seus elencos", pontua Samaja.

Heinze é o preferido, mas o Palmeiras também avalia outros nomes e já pensa em contatá-los no futuro, caso as conversas com o argentino não avancem. Por enquanto, quem segue no comando do time é o auxiliar fixo Andrey Lopes, já há duas semanas no cargo interinamente. O "Cebola" vai dirigir a equipe pela quarta vez seguida nesta quinta-feira, no duelo contra o Red Bull Brasil, em Bragança Paulista, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil.