ESPECIAL PRIMEIRA LIGA: A taça no fim da ‘era Tencati’ no Londrina

Time conquistou título meses antes do treinador se despedir, após seis anos no comando

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 19 (AFI) A última vez que o Londrina foi visto jogando a elite do Campeonato Brasileiro foi em 1982, em sua sétima e última participação. Depois disso, o time percorreu caminhos ingratos, mas nos últimos anos voltou a dar alegria aos torcedores. Ainda não voltou para a primeira divisão, mas bateu de frente com gigantes na temporada 2017 e conquistou o título da primeira liga.

Tudo bem que a competição, fundada para desafiar a CBF, acabou sendo subvalorizada até por alguns dos participantes. O Tubarão chegou à final após superar Fluminense e Cruzeiro jogando com time mistos, mas nada tira o mérito de levar a melhor sobre o Atlético-MG de Fred e Robinho, na grande final.

Naquele momento, ninguém imaginava, mas havia sido a última conquista do técnico Claudio Tencati no comando da equipe londrinense. Depois de seis anos e sete meses de clube, ele esperou as últimas rodadas da Série B para anunciar que estava indo embora, isso depois de brigar pelo acesso e termina na quinta colocação, batendo na porta.

QUEM LIGA PARA A PRIMEIRA LIGA?
Portanto, o troféu tem um valor especial para Londrina e Tencati, independente do peso que tenha para os outros clubes. A história começou com o treinador tirando o time da segunda divisão paranaense logo nos primeiros meses de trabalho, após o título da Segundona.

Tencati ficou no comando do Londrina por quase sete anos. (Foto: Gustavo Oliveira / LEC)
Tencati ficou no comando do Londrina por quase sete anos. (Foto: Gustavo Oliveira / LEC)
Depois de algum tempo, em 2014, vieram as conquistas do título da primeira divisão e do acesso à Série C. Em 2015, no primeiro ano na terceira divisão, subiu para a Série B. Em constante evolução, o Tubarão vê o título da Primeira Liga como resultado de um trabalho profissional e de sucesso.

TRAJETÓRIA
O caminho feito pelo time no torneio foi praticamente perfeito, sem nenhuma derrota. Na fase de grupos, fez a segunda melhor campanha geral e ficou com a primeira colocação do Grupo D, com nove pontos. Estreou com vitória por 1 a 0 sobre o Figueirense, repetiu o placar contra o Avaí, e venceu o Paraná por 2 a 1.

Então, chegou a hora de encarar os gigantes brasileiros, que, de fato, não estavam tão interessados na competição, mas ainda assim serviram de prova para o Londrina mostrar o seu valor. O Fluminense foi a primeira vítima a cair no Estádio do Café, palco de todas as decisões londrinense, pelo fato do time ter mantido a melhor campanha até o final.

O Londrina saiu para o intervalo com o resultado positivo por ter aproveitado a única chance que teve no primeiro tempo. Aos 41 minutos, Celsinho recebeu de Germano, passou por três marcadores do Fluminense e deixou Carlos Henrique na cara do gol. O atacante ganhou a dividida com Júlio César e colocou a bola no fundo das redes.

Aos 33 minutos do segundo tempo, Patrick Vieira cobrou escanteio na cabeça de Germano. O volante testou firme para defesa de Júlio Cesar. Na sobra, Carlos Henrique deu números finais ao confronto.

César foi o herói londrinense na semi e na final. (Foto: Gustavo Oliveira / LEC)
César foi o herói londrinense na semi e na final. (Foto: Gustavo Oliveira / LEC)

CÉÉÉSAR
Então, foi a vez do Cruzeiro, também misto, sentir a pressão do Café, na semifinais, em jogo no qual o Londrina teve mais dificuldades. Por fim, venceu de maneira heroica e conseguiu a vaga na final.

Mesmo saindo atrás no placar, o time da casa pressionou o Cruzeiro durante todo o jogo e contou com o apoio de mais de 17 mil torcedores no Estádio do Café para buscar o empate por 2 a 2 no tempo normal. Gols de Lucas Silva e Sassá para a Raposa e de Alisson Safira e Germano para o Tubarão.

O grande herói do jogo apareceu apenas após o apito final. Nas cobranças de pênalti, César apareceu muito bem e defendeu três cobranças: Lucas Silva, Arthur e Alex bateram nas mãos do goleiro. Do outro lado, Germano, Ayrton e Dirceu conseguiram vencer Rafael na marca da cal e decretaram a vitória do Londrina dentro de casa. O técnico Cláudio Tencati foi um dos que mais comemorou com a torcida paranaense.

CÉSAR OUTRA VEZ
Na grande final, o cenário foi outro. Diferente de Cruzeiro e Fluminense, o Atlético-MG foi a campo com força máxima. Fred, Robinho, Elias, Cazares e companhia, todos estavam lá para ver o goleiro César brilhar mais uma vez e se tornar herói diante dos olhos do torcedor londrinense.

Empurrado por mais de 15 mil torcedores que lotaram as arquibancadas, o Londrina começou com mais presença no campo ofensivo. Sem conseguir penetrar na defesa adversária, o time da casa arriscava chutes de longa distância, enquanto o Atlético também levava perigo apostando nos contra-ataques.

O Londrina valorizou o título da Primeira Liga. (Foto: Gustavo Oliveira / LEC)
O Londrina valorizou o título da Primeira Liga. (Foto: Gustavo Oliveira / LEC)
A principal chance antes do intervalo foi de Negueba, que girou em cima da marcação de Adilson e bateu forte, exigindo boa defesa do goleiro Victor. A segunda etapa manteve o mesmo ritmo. Com o Londrina criando mais jogadas ofensivas, mas sem conseguir vazar a defesa atleticana.

O Atlético, embora com várias estrelas, não mostrou força para balançar as redes. Sem muitos lances agudos até o apito final, a decisão ficou mesmo para a disputa de pênaltis. Todos os quatro batedores do time da casa converteram. Victor acertou os cantos, mas não conseguiu evitar gols de Jumar, Edson Silva, Ayrton e Dirceu.

Pelo lado do Atlético, Fábio Santos e Robinho converteram as primeiras cobranças, mas Clayton e Rafael Moura pararam nas defesas de César, herói do título.

 
 
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