Possíveis benefícios para os brasileiros na disputa da Libertadores 2020 em sede única

Afinal, alguns dos adversários, por mais frágeis que sejam, acabam se tornando muito mais competitivos ao jogar na altitude

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 14 (AFI) - Recentemente o jornal uruguaio El País noticiou um possível interesse por parte de Ignacio Alonso, presidente da AUF (Associação Uruguaia de Futebol) de fazer do Uruguai a sede única para o restante da atual edição da Copa Libertadores da América. Caso isso se confirme, a principal competição sul-americana de clubes seguiria o exemplo da Liga dos Campeões da Europa 2019/20, cujas partidas que restam serão disputadas em Lisboa.

Embora a Conmebol não tivesse se pronunciado oficialmente a respeito de tal possibilidade, as equipes que a princípio mais se beneficiariam com tal decisão seriam as do Brasil e da Argentina. Afinal, alguns dos adversários de brasileiros e argentinos na primeira fase, por mais frágeis que sejam, acabam se tornando muito mais competitivos ao jogar na altitude de cidades como La Paz e Quito.

Os possíveis benefícios para os brasileiros na disputa da Libertadores em sede única
Os possíveis benefícios para os brasileiros na disputa da Libertadores em sede única
Para se ter uma perspectiva mais ampla a respeito dessa questão, basta verificar as cotações que vêm sendo negociadas pelos traders de apostas de futebol quanto às chances de cada equipe de conquistar a Libertadores 2020. Como no trading esportivo as apostas são feitas entre pessoas – seja a favor ou contra determinado evento –, muitos já estão atentos à possibilidade de a Libertadores deste ano não vir a ter mais nenhum jogo em cidades de grande altitude.

Com isso, os traders esportivos vêm considerando que a distância entre as equipes brasileiras e argentinas em relação às de outros países da América do Sul só tende a crescer a partir de agora. Tanto é assim que os dez clubes mais cotados para vencer a competição são ou do Brasil ou da Argentina. Já o 11º é, atualmente, a LDU do Equador, que derrotou os reservas do River Plate por 3 x 0 na primeira rodada, numa partida que foi realizada na altitude de 2.850 metros de Quito.

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Outro exemplo de como a altitude pode ser importante foi a estreia do São Paulo, que está no mesmo grupo de River Plate e LDU. A equipe brasileira foi ao Peru enfrentar o pouco conhecido Binacional no estádio Guillermo Briceño, na cidade de Juliaca, que fica a 3.825 metros de altitude. E, apesar de ter aberto o placar com Alexandre Pato e ter perdido inúmeras chances de gol ainda no primeiro tempo, o Tricolor terminou derrotado por 2 x 1 pelos peruanos.

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Não se deve desmerecer a LDU, que já foi inclusive campeã da Libertadores em 2008, nem o Binacional, que é o atual campeão peruano. No entanto, não deixa de ser revelador que, na segunda rodada, nem São Paulo nem River Plate tenham tido maiores dificuldades para vencer seus jogos contra essas equipes: enquanto o Tricolor derrotou a LDU por 3 x 0 no Morumbi, os argentinos aplicaram uma goleada de 8 x 0 sobre o Binacional no Monumental de Núñez.

Independentemente do que venha a ser decidido pela Conmebol daqui por diante, há de se constatar também que, com o recente anúncio por parte da CBF de que o Brasileirão começará no dia 9 de agosto, não seria uma missão simples por parte das equipes brasileiras na disputa da Libertadores conciliar ambas as competições neste segundo semestre. Mas, caso a principal entidade do futebol sul-americano se decida pela Libertadores no Uruguai, ao menos o desgaste físico por parte de brasileiros e argentinos será muito menor.