ESPECIAL LIBERTADORES: River campeão, mas derrota do futebol sul-americano

A competição foi marcada por muita polêmica fora de campo e colocou a Conmebol em xeque

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 31 (AFI) - A Copa Libertadores de 2018 entrou para a história. Mas não da forma que todo mundo esperava, principalmente quando River Plate-ARG e Boca Juniors-ARG chegaram juntos na final pela primeira vez. Por conta de uma confusão generalizada antes do segundo jogo, a decisão aconteceu na Espanha. O título ficou com os Millonarios, mas não foi só o Boca que perdeu. A derrota foi de todo futebol sul-americano.

A competição começou com muita euforia por parte dos brasileiros, que tinham sete representantes na fase de grupos, já que a Chapecoense caiu ainda na fase preliminar. Entre esse número, pelo menos quatro eram apontados como candidatos ao título: O Grêmio buscava o bicampeonato, enquanto Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo apostavam em elencos recheados de estrelas. Já Corinthians, Santos e Vasco da Gama corriam por fora.

O Palmeiras tinha uma campanha praticamente perfeita até encontrar Benedetto pelo caminho
O Palmeiras tinha uma campanha praticamente perfeita até encontrar Benedetto pelo caminho
Com exceção do Gigante da Colina, os demais brasileiros passaram para as oitavas de finais. O Palmeiras terminou ainda com a melhor campanha no geral e de forma invicta, seguido de perto pelo Grêmio. Cruzeiro, Santos e Corinthians também foram líderes dos seus grupos, enquanto o Flamengo sofreu, mas passou como segundo colocado. Finalista, o Boca Juniors-ARG poderia ter sido eliminado ainda nesta fase se o Verdão tivesse perdido para o Junior Barranquilla-COL, na última rodada, em São Paulo. O jogo terminou 3 a 1 para os alviverdes.

POLÊMICA!
As oitavas de finais prometiam muita polêmica e bons jogos. Vamos começar pela parte boa. Candidatos ao título, Flamengo e Cruzeiro fizeram um duelo bastante equilibrado, mas apenas um brasileiro poderia passar. Apesar da derrota no Mineirão por 1 a 0, a Raposa se classificou depois de ganhar a ida por 2 a 0 no Maracanã. Em outra disputa eletrizante, o Grêmio eliminou o Estudiantes-ARG nos pênaltis depois de cada um vencer por 2 a 1 como mandantes.

Após encaminhar a classificação com uma vitória por 2 a 0 no Paraguai, o Palmeiras quase foi prejudicado pela expulsão de Felipe Melo logo no início da partida no Allianz Parque, mas eliminou o Cerro Porteño-PAR mesmo com a derrota por 1 a 0. A decepção ficou para a queda precoce do Corinthians, ainda mais diante do seu torcedor. No Chile, o Timão perdeu por 1 a 0 e depois bateu o Colo Colo-CHI, por 2 a 1, em Itaquera. A vaga, porém, escapou por conta do número de gols marcados fora de casa.

O Santos foi punido por escalar Carlos Sanchéz de forma irregular contra o Independiente
O Santos foi punido por escalar Carlos Sanchéz de forma irregular contra o Independiente
A outra eliminação brasileira veio de forma bastante polêmica. Depois de ter arrancado um empate sem gols na partida de ida contra o Independiente, fora de casa, o Santos foi punido pela Conmebol pela escalação irregular do uruguaio Carlos Sanchéz. O volante tinha que cumprir um jogo de suspensão devido a expulsão na semifinal da Sul-Americana de 2015, quando defendia o River Plate. Assim, o Independiente foi decretado vencedor por 3 a 0. Na volta, no Pacaembu, o Peixe empatou sem gols em partida marcada também por confusão nas arquibancadas.

O que gerou ainda mais revolta do Santos é que Bruno Zuculini precisava cumprir dois jogos de suspensão pela expulsão na Sul-Americana de 2013 quando defendia o Racing-ARG diante do Lanús-ARG. O River Plate-ARG, atual clube do jogador, recebeu o aval da Conmebol para utilizar o jogador - a entidade disse que foi um "erro administrativo" - e o escalou em todos os jogos. O Racing-ARG, eliminado nas oitavas de final pelo River, foi até a Justiça, mas não obteve êxito.

DOMÍNIO BRASILEIRO X ARGENTINO
Dos oito classificados para as quartas de final, apenas o Colo Colo-CHI não era brasileiro ou argentino. E ele caiu para o Palmeiras com duas derrotas por 2 a 0. Outro brazuca que não encontrou dificuldades para passar de fase foi o Grêmio, que ganhou do Atlético Tucumán-ARG por 2 a 0 e 4 a 0, respectivamente. Já o River Plate-ARG passou pelo Independiente-ARG.

No confronto mais equilibrado das quartas de final houve polêmica. No primeiro jogo da semifinal, realizado na La Bombonera, o Boca Juniors vencia por 1 a 0 quando o juiz expulsou Dedé após uma trombada no goleiro mesmo depois olhando o VAR. O lance gerou revolta dos cruzeirenses e surpreendeu até mesmo os jogadores xeneizes. Com um a mais, o Boca fez o segundo e encaminhou a classificação. A partida no Mineirão terminou empatada em 1 a 1.

Torcedores do River Plate arremessam pedras no ônibus da delegação do Boca Juniors antes do segundo jogo da final
Torcedores do River Plate arremessam pedras no ônibus da delegação do Boca Juniors antes do segundo jogo da final
A semifinal foi um duelo brasileiro x argentino. Apontado como o principal candidato ao título, o Palmeiras não esperava encontrar pela frente Benedetto. Ainda sem disputar nenhuma partida na Libertadores, o atacante saiu do banco de reservas para encaminhar a classificação do Boca Juniors-ARG com dois gols nos minutos finais. A vitória por 2 a 0 deixou o time argentino em situação confortável e a classificação veio com um empate em 2 a 2 no Allianz Parque. Benedetto voltou a deixar sua marca.

Na outra partida, tudo levava a crer que o Grêmio chegaria a mais uma decisão depois de vencer o River Plate-ARG, por 1 a 0, na Argentina, e abrir o placar na Arena do Grêmio. No entanto, um apagão nos minutos finais frustrou os tricolores. Borré deixou tudo igual aos 36 e a virada veio aos 50 através de Pity Martínez em cobrança de pênalti assinalado com a ajuda do VAR. O vilão da história foi Bressan, que ficou 15 minutos em campo, foi expulso e cometeu a penalidade. Depois disso, acabou sendo afastado.

Jogadores do River Plate comemoram título conquistado no Santiago Bernabéu, na Espanha
Jogadores do River Plate comemoram título conquistado no Santiago Bernabéu, na Espanha
A GRANDE FINAL?

As quedas dos brasileiros resultaram na final mais aguardada de todos os tempos. Ela, no entanto, seria manchada. Na La Bombonera, Boca Juniors-ARG e River Plate-ARG fizeram uma partida bastante movimentada e que terminou empatada em 2 a 2. O segundo jogo da decisão seria realizado no Monumental de Núñez, mas acabou sendo suspenso depois do ônibus com a delegação xeneize ser atacado pelos torcedores do River. Alguns jogadores, inclusive, foram atingidos por pedras e estilhaços dos vidros.

O Boca Juniors-ARG queria que o rival fosse punido, ficando assim com o título, enquanto o River Plate-ARG batia o pé para que a partida fosse remarcada para o Monumental de Núnez. Após muito "disse me disse", a Conmebol anunciou que a decisão aconteceria no Santiago Bernabéu, na Espanha. Longe da maioria dos seus torcedores, o River bateu o Boca por 3 a 1 nos acréscimos, depois de um empate em 1 a 1 no tempo normal, e conquistou sua quarta Libertadores.