Justiça acata pedido de Sindicato e adia jogo entre Palmeiras e Flamengo

A decisão ainda cabe recurso e uma mudança poderá ocorrer durante o dia

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 26 (AFI) - O Tribunal Regional do Trabalho determinou na tarde deste sábado o adiamento do jogo entre Palmeiras e Flamengo, previsto para ocorrer neste domingo, às 16h, no Allianz Parque, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. A ordem veio após um pedido do Sindeclubes, sindicato que representa funcionários de clubes no Rio de Janeiro.

Curiosamente, o presidente do Sindeclubes é José Pinheiro dos Santos , funcionário da segurança do Flamengo. Ele alegou risco elevado de contágio para que o duelo fosse adiado. Segundo o mesmo, o time rubro-negro tem apenas 21 profissionais disponíveis para o embate.

Jogo entre Palmeiras e Flamengo foi adiado
Jogo entre Palmeiras e Flamengo foi adiado

A decisão ainda cabe recurso. O Palmeiras, inclusive, não vê o adiamento do jogo com bons olhos e pede que o plano montado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em combate ao covid-19 seja seguido. A própria entidade recusou postergar a partida e teve o apoio do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (SJTD), que indeferiu um pedido do Flamengo.

No entanto, a nova ordem, vinda do Tribunal Regional do Trabalho, deu uma reviravolta no caso. Mas, tanto o Palmeiras, quanto a entidade deve buscar o recurso para realização do duelo.

SURTO DE COVID!
O Flamengo alega que apenas 12 atletas do elenco estão disponíveis para entrar em campo contra o Palmeiras, dos quais três deles são goleiros. Fora os casos de jogadores contaminados há também três lesionados e fora de condições de atuar: Diego Alves, Gabriel e Pedro Rocha.

O surto de coronavírus no Flamengo ocorreu durante a viagem para o Equador, onde a equipe disputou dois jogos pela Copa Libertadores. Além de jogadores, contraíram a covid-19 o técnico Domènec Torrent, o presidente Rodolfo Landim, entre outros funcionados de diversos setores do clube.

Confira a decisão do juiz do trabalho Filipe Olmo:

"Apesar dos protocolos estabelecidos pela CBF e pelo 2º réu, é público e notório, pelos documentos e notícias juntadas aos autos, que há um surto focalizado entre os empregados e jogadores do Clube de Regatas do Flamengo. Em razão dos eventuais resultados falso-negativos e da possibilidade de haver infectados dentro do período de incubação, não há garantia de que os empregados saudáveis não terão contato com outros empregados que possam estar infectados.

Deve-se ressaltar, ainda, que os exames são realizados com antecedência de 2 a 3 dias, e que outros empregados podem ter sido infectados após a realização do exame, em razão do surto focalizado já mencionado. Neste contexto, não há como garantir que empregados que tenham testado negativo estejam, de fato, saudáveis e não estejam transmitindo o vírus, seja pela possibilidade de resultado falso-negativo, seja pela possibilidade de ter contraído o vírus após a realização do exame.

Ressalte-se que o sindicato autor representa o staff do clube, composto, muitas vezes, por pessoas idosas e/ou pertencentes ao grupo de risco, o que potencializa o risco da realização da partida em questão.

Manter a partida implicaria risco demasiado para a saúde de jogadores das duas equipes, comissão técnica e demais empregados. Além disso, há risco de contaminação dos familiares, quando do retorno para casa."