Cinco anos sem Neneca, goleiro do título inédito do Guarani

Cinco anos sem Neneca, goleiro do título inédito do Guarani

por ARIOVALDO IZAC - -

Este 25 de janeiro marca o quinto ano da morte do goleiro Hélio Miguel, o Neneca, vítima de um câncer sanguíneo incurável, que afeta a medula óssea e rins.

Nos últimos meses de vida, Neneca esteve radicado em Londrina (PR), sua cidade natal, para se submeter a sessões de quimioterapia e medidas paliativas da medicina, para amenizar dor e desconforto. Sabia-se, todavia, que nada impediria o avanço da doença.

Diante do quadro irreversível, de certo o próprio Neneca interpelou ao Deus misericordioso para que o conduzisse à morte. Assim, restou uma história rica e impagável como atleta. Ele será eternamente lembrado pelo torcedor bugrino pelo título brasileiro de 1978.

DIEDE LAMEIRO

Trazido a Campinas pelo então treinador Diede Lameiro em 1976, ele atravessou a melhor fase da carreira em Campinas. Usava a compleição física avantajada - 1,82m de altura - para arrojada saída da meta nas bolas alçadas contra a sua área.

Raramente era traído nas tidas bolas defensáveis. E como se recomenda a todo bom goleiro, em quase todas as partidas ainda pegava uma ou duas bolas tidas como improváveis.

Também exerceu liderança dentro e fora de campo. No gramado, comandava aos gritos o quarteto defensivo. Nos bastidores, sabia apagar ‘focos de incêndio’ no grupo, dialogava de forma transparente com membros de comissão técnica, e era um dos interlocutores dos boleiros com cartolas para quaisquer reivindicações.

REGULARIDADE

A regularidade na meta do Guarani resultou em 778 minutos sem sofrer gol no ano do título nacional, marca que supera os tempos de América Mineiro quando ficou 537 minutos sem ser vazado. Todavia, seu recorde foi na passagem pelo Náutico no biênio 1974-75, quando não sofreu gol durante 1.636 minutos.

Com propensão para engordar, a carreira entrou em declínio e deixou o Guarani em 1980, transferindo-se ao Operário (MS). Ele ainda passou por Bragantino e encerrou a carreira de atleta no Votuporanguense em 1989.

Neneca jogava como atacante na infância, no interior do Paraná. Ao se aventurar como goleiro, em prolongamento de partidas através de decisão em cobranças de pênaltis, percebeu que tinha aptidão pela posição, e ali ficou.

Ele ainda participou como comandante de escolinhas de futebol para garotos e preparador de goleiros no próprio Guarani, sem repetir notoriedade dos tempos de atleta.