ESPECIAL SÉRIE D: Clubes do Século XXI brilham e desbancam tradicionais

Operário conquistou o título com soberania, enquanto os jovens Globo e Juazeirense tomaram o lugar pretendido por Bangu e Portuguesa

por João Vitor Graciano

Campinas, SP, 22 (AFI) – Com nova formulação, em 2017, pela primeira vez todos os campeonatos estaduais do ano anterior definiram os participantes da quarta divisão nacional. E, com tantas novidades, o título não poderia ficar com um campeão que não fosse inédito, e o Operário Ferroviário-PR fez acontecer.

O ano não foi só flores para o Fantasma do Paraná, que segue na segunda divisão do Campeonato Estadual. Contudo, um aproveitamento de 70,8% levou o time paranaense ao título, esbanjando a quarta melhor campanha da história da competição, que existe há nove anos. Apesar de ter uma participação na Série A em 1979, o Operário disputará a ‘era moderna’ da Série C pela primeira vez no próximo ano.

SEM PRESSA
Antes de falarmos dos outros clubes destaques da competição, vamos entender um pouco mais da Quarta Divisão nacional. O torneio existe desde 2009 e neste ano contou com 68 participantes, oriundos de todos os campeonatos e copas estaduais de 2016.

Os tradicionais Bangu e Portuguesa não passaram nem da primeira fase
Os tradicionais Bangu e Portuguesa não passaram nem da primeira fase
O torneio começou com diversos atrativos, as chamadas equipes tradicionais do país. Exemplo disso foi a participação de clubes como a da Portuguesa-SP, que em 2013 estava na elite nacional, mas entrou em ‘queda livre’ desde então, ficando sem competição nacional em 2018. Isso sem falar do Bangu, acostumado a brigar para ser a quinta força do Rio de Janeiro, o clube que já foi até vice-campeão brasileiro entrou como o mais antigo da competição, com altas expectativas.

Mas não foi nenhum desses nomes de peso que brilhou no decorrer do torneio. Muito pelo contrário, Bangu e Portuguesa ficaram no mesmo grupo na primeira fase, e ambos foram eliminados logo de cara.

ALTA EXPECTATIVA
Desses que carregaram maiores expectativas, quem se deu melhor foi o América-RN, recém-rebaixado da Série C, que apareceu como o único clube que já havia jogado a ‘era moderna’ da Série C nas quartas de final, fase que define os acessos. Mas... a camisa não pesou. O Mecão acabou perdendo o acesso para a Juazeirense-BA, fundada em 2006, que nunca havia subido de divisão nacionalmente.

O CAÇULA ALCANÇOU O CÉU
E, para seguir falando dos clubes que conseguiram o acesso, nada melhor do que trazer à tona o regular e jovem Globo-RN, vice-campeão do torneio. Com um ataque potente e uma defesa firme, a Águia de Ceará-Mirim começou o ano já em alta, tendo conquistado o título do primeiro turno do Campeonato Potiguar e terminado como vice-campeão do torneio no primeiro semestre do ano.

Fundado em outubro de 2008, o Globo se tornou o clube mais jovem a conquistar o acesso na quarta divisão. Desde sua criação, a diretoria do clube mostrou ter um projeto bem definido, que vem dando resultados. A grande prova do planejamento potiguar é o fato de que, no momento do acesso, Luizinho Lopes, treinador do Globo, era o segundo técnico com maior tempo a frente do mesmo clube no cenário nacional.

O Atlético-AC tentou de novo e finalmente conseguiu o acesso
O Atlético-AC tentou de novo e finalmente conseguiu o acesso
A PERSISTÊNCIA DO NORTE
O quarto e último clube que conquistou o acesso a ser citado, mas não menos importante, é o Atlético-AC. O Galo Carijó manteve a base do ano anterior e tudo deu certo, tudo mesmo. No começo do ano, o time acreano conquistou o bicampeonato estadual. Não satisfeito, a equipe de Rio Branco, que havia chegado às quartas de final da Série D e batido na trave no ano anterior, deixou o sulista São José pelo caminho e subiu de divisão, esbanjando entrosamento e confiança.

Ê ESSEPÊ
Enquanto o estado de São Paulo dominou a elite do futebol nacional, com Corinthians, Palmeiras e Santos indo diretamente para a Libertadores, na Série D a situação foi muito diferente para os clubes da região com o futebol mais valorizado do país atualmente.

O estado do Sudeste começou a competição já com um recorde: seis representantes no torneio, mas cinco deles caíram já na primeira fase. Junto com a Portuguesa, Audax, Ituano, Red Bull Brasil e XV de Piracicaba ficaram presos na fase de grupos. O único a avançar foi o São Bernardo FC, que até passou pelo Metropolitano no primeiro mata-mata, mas caiu nas oitavas de final nos pênaltis para o São José-RS.

TEVE ATÉ TAPETÃO
O início da segunda fase da Série D foi antecedido por uma grande confusão nos tribunais, que atrasaram o início do mata-mata por uma semana. O ocorrido foi a eliminação do São Raimundo-PA por escalação irregular. O clube havia avançado na fase de grupos e cedeu seu lugar à Desportiva Ferroviária.

REPRESENTATIVIDADE
Uma característica do torneio que merece destaque é o chaveamento regionalizado, que possibilita um espaço igualitário para todas as regiões, evitando uma esperada soberania dos clubes do Sudeste. Prova disso é que apenas cinco estados não tiveram nenhuma equipe avançando para as fases mata-mata da Série D: Roraima, Rondônia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.

O Operário Ferroviário fez a quarta melhor campanha da história da Série D
O Operário Ferroviário fez a quarta melhor campanha da história da Série D

VAMOS FECHAR COM NÚMEROS?
Para os matemáticos ou apenas para aqueles que gostam mais dados, este texto especial sobre a Série D 2017 será finalizado de maneira exata. Ao todo, o campeonato teve 266 jogos e 630 gols, uma média de 2,37 gols por jogo. O Globo foi o time que mais venceu, 11 vezes, e o melhor ataque é do Atlético-AC, com 27 gols marcados.

O jogo com maior público pagante de todo o torneio foi o empate por 1 a 1 entre América-RN e Juazeirense no jogo de volta das quartas de final, na Arena das Dunas, em Natal, com 12.799 torcedores.