Atleta do Sport e técnica do Santos denunciam 'descaso' no futebol feminino

Sofia Sena, do Leão da Ilha do Retiro, e Emily Lima, do Peixe, reclamaram de condições oferecidas para a modalidade

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 16 (AFI) - A Copa do Mundo de Futebol Feminino chegou ao fim há menos de dez dias, trazendo consigo a esperança de dias melhores para a modalidade. No entanto, dois casos mostram que ainda há muito há ser feito.

Primeiro, a meia-atacante Sofia Sena denunciou as condições de trabalho no Sport. Depois, a técnica Emily Lima gravou vídeos nos quais as jogadoras do Santos dormem em saguão de hotel em Manaus (AM).

Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

SPORT
Na tarde do último sábado, o Leão da Ilha do Retiro foi ao Ulrico Mursa, em Santos (SP), e perdeu por 9 a 0 para o Santos. O resultado representou a 11ª derrota das pernambucanas em 11 rodadas. Além disso, o time nordestino, que está virtualmente rebaixado no Brasileiro Feminino, marcou um e tomou 46 gols. A situação fez com que a meia-atacante Sofia Sena desabafasse sobre a situação.

“Elas convivem mais com a bola e a gente mal toca na bola. O que falta mesmo para o Sport é foco do clube em nós. Que é uma dificuldade tremenda para isso poder acontecer. Não tem prioridade para o feminino. Se vira do jeito que pode, tem um horário, uma professora para ensinar vocês, tem uma bola e se vira. O resto a gente resolve. Eu acho que isso não ganha jogo. A gente pode ter raça, pode ter vontade, pode ter amor, mas com certeza isso não vai ganhar jogo”, afirmou a jogadora.

"O Sport está em um processo de renovação e também de formação de equipe, porque é isso que o Brasil precisa para melhorar o futebol feminino. É ter coragem de pegar garotas jovens e botar para jogar para que a gente possa começar a revelar e aumentar o número de jogadoras. Meu modo de ver, ainda são muito poucas mulheres praticando o esporte. Vamos melhorar sem perder a filosofia de investir. O que penso em termos de melhora é trazer poucas de fora, eu quero revelar garotas. Requer coragem e mantém a filosofia para revelar jogadoras", respondeu o presidente rubro-negro Milton Bivar.

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SANTOS
A técnica do Peixe, Emily Lima, usou as redes sociais para mostrar as jogadoras alvinegras dormindo em um saguão de hotel em Manaus (AM), cidade onde enfrentam o Iranduba, na noite desta quarta-feira, pelo Brasileiro Feminino. No fim, como o elenco só poderia acessar os quartos do hotel Intercity a partir do meio-dia, elas acabaram indo para o Quality durante a madrugada de segunda para terça.

"Essa é a organização do nosso futebol para mulheres no Brasil. Saímos de Santos às três horas da tarde, e a senhora CBF e senhora Pallas, a empresa que faz toda nossa logística de viagem... não tinha voo para amanhã (terça-feira), mandaram num voo hoje (segunda), picado, com escala em Brasília, e chegamos ao hotel e não tem vaga para nós. Então, vamos dormir aqui hoje. Vamos dormir aqui na recepção do hotel", reclamou a treinadora.

"Esse é o respeito que as pessoas tem pelo futebol feminino no Brasil. Eu ainda tenho que tomar cuidado como que eu falo porque a Emily é cobra, é isso e aquilo.... Essa é a realidade do futebol brasileiro para mulheres. Por que será que os Estados Unidos está tão longe de nós?", questionou.

Emily aproveitou a série de publicações para criticar especificamente a organização do Campeonato Brasileiro Sub-18. Em sua primeira fase, disputada em sedes fixas, que recebem os seis grupos, os times tem previsto a disputa de seis jogos em 12 dias - em um das chaves, a E, são seis partidas em 11 dias.

"Meninas de 16, 17 e 18 anos jogando dia sim e dia não, 90 minutos. Descansa em um dia e joga no outro. Esse é o Campeonato Brasileiro Sub-18. Como é organizado... Eu não posso jogar a responsabilidade para cima dessas meninas. Eu tenho que tirar o chapéu. Elas sempre estão lá. Com toda a dificuldade, estão treinando, estão querendo, estão brigando, com olhos cheios de esperança. Meninas, parabéns para todas vocês", criticou.

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