Clube do RJ falsificou 57 exames de covid-19, aponta investigação do TJD

Ângelo Benachio, atual presidente, Cleber Louzada, ex-presidente, e o gestor Antônio Carlos Dias de Souza foram denunciados

por Agência Futebol Interior

Rio de Janeiro, RJ, 07 (AFI) - O Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ) finalizou a investigação sobre exames falsos de covid-19 na Série B2 do Campeonato Carioca, que terminou em fevereiro. Concluiu-se que o Mesquita falsificou nada menos do que 57 exames para covid-19.

Ângelo Benachio, atual presidente, Cleber Louzada, ex-presidente, e o gestor Antônio Carlos Dias de Souza foram denunciados e podem ser suspensos por até quatro anos e meio do futebol. Além disso, podem pagar multa de R$ 200 mil.

Os lotes com exames falsos foram enviados em 29 de dezembro, antes da partida contra o Barra da Tijuca, e em 7 de janeiro, antes de enfrentar o Mageense. Antes da investigação começar, havia indícios de apenas dois exames falsificados.

Jogo do Mesquita (Foto: Agência Ferj)
Jogo do Mesquita (Foto: Agência Ferj)
TRECHO DO RELATÓRIO

"Pelos depoimentos colhidos, ficou claro que o procedimento adotado do clube tinha por fim facilitar e encobrir as práticas infracionais. Isto porque o clube recebia, diretamente do laboratório, em seu e-mail, os resultados dos exames quando eram realizados, com objetivo de menos pessoas incluídas no procedimento e facilitação das utilizações de documentos falsos, sem que gerasse visibilidade dentro da própria estrutura administrativa da instituição.

Participavam do esquema o ex-presidente, o atual presidente, que à época era vice-presidente do clube, e o gestor do clube.

A prática da infração ocorreu premedita porque precisou realizar a montagem filtrada da estrutura do clube, de modo a gerar menos contato com as falsificações e dificultar a visibilidade, quando sequer os exames passavam por análise da equipe médica, que seriam os responsáveis para liberar o atleta para a competição".

IRRESPONSABILIDADE GRAVÍSSIMA

Além da denúncia, o relatório do TJD pede punição aos envolvidos. Destacou a prática como antiética e antidesportiva, que expõe as pessoas ao risco de contágio.

"E ainda, não se pode deixar de considerar que a inclusão de pessoas nas praças de desporto sem a devida atenção e testagem para SARS-COV2 é uma prática antiética e antidesportiva, pois expõe pessoas a risco de contágio e ferem direitos basilares como a saúde pública e vida.

Assim, a imoralidade e o descaso tomaram conta dos atos narrados, de modo que sabendo dos riscos de suas atitudes, conscientemente, decidiram praticar os tipos infracionais, e estes merecem ser reprimidos e punidos a fim de trazer o caráter punitivo-pedagógico, e na busca de tentar salvar a imagem das organizações envolvidas nas realizações das partidas, e não deixando cair em descrédito e macular todo o desporto.

A irresponsabilidade dos denunciados é gravíssima, pois é uma afronta à saúde das pessoas, e por consequência à vida, posto que muitos não sobrevivem à infecção causada pelo coronavírus. Assim, o ato de expor pessoas a risco é uma ofensa ética, pois macula o próprio desporto, criando descrédito nas instituições que regulamentam e promovem as partidas, que tanto se esforçaram para que pudessem retornar as partidas com segurança".