ESPECIAL DANÇA DAS CADEIRAS: Relembre as principais trocas de técnico de 2017!

Solução mais fácil encontrada pela diretoria dos clubes, confira as mudanças que surtiram (ou não) efeito

por Daniel Camargo

Campinas, SP, 01 (AFI) – Apesar dos salários astronômicos recebidos pelo ‘primeiro escalação’ dos profissionais dessa área, é fato que vida de técnico no Brasil não é fácil. A instabilidade é gigante e, em algumas vezes, nem um bom trabalho é garantia de continuidade. Isto, pois existem periodicamente eleições presidenciais, além de que é muito mais fácil trocar um (o treinador) do que um elenco todo de jogadores. Em 2017, não foi diferente. A já famosa ‘Dança das cadeiras’ aconteceu, em alguns clubes de forma demasiada. Seguem as movimentações mais relevantes.

Fábio Carille fechou o ano com dois títulos (Foto: Alexandre Schneider / Getty Images)
Fábio Carille fechou o ano com dois títulos (Foto: Alexandre Schneider / Getty Images)

GIGANTES PAULISTAS
Dentre os grandes clubes do estado de São Paulo, o único time que teve somente um comandante ao longo de 2017 foi o Corinthians. Coincidentemente ou não, o Timão encerrou a temporada com dois títulos: Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro.

Efetivado ao final de 2016, o ex-auxiliar Fábio Carille mostrou personalidade e armou uma equipe pragmática, que superou o rótulo de ‘quarta força’ e a desconfiança da torcida para encher a Fiel de alegria.

PALMEIRAS: TRÊS TÉCNICOS E UMA TEMPORADA DE DECEPÇÃO
Campeão brasileiro na última temporada e impulsionado por um grande respaldo financeiro, o Palmeiras era apontado no início do ano como principal concorrente a todos os títulos que iria disputar.

Após a saída de Cuca, que alegava precisar dedicar um tempo a família, a diretoria do Verdão apostou em Eduardo Baptista. Contudo, o time não engrenou e acabou sendo eliminado do estadual pela Ponte Preta. A queda foi dolorosa, pois, no primeiro jogo das semifinais, o Palestra tomou sonoros 3 a 0 no Moisés Lucarelli, não tendo visto a cor da bola.

Na Libertadores, o Verdão ia aos trancos e barrancos, conquistando vitórias no último minuto. Porém, a falta de um bom futebol fez a diretoria trazer novamente Cuca. Identificado com o Palmeiras, clube do seu coração, o treinador voltou e com a ele a – errônea – certeza de que as coisas mudariam. O time segui inconstante, resultando na queda da competição sul-americana e de resultados aquém dos esperados no nacional.

Alberto Valentim comandou o Verdão na reta final do Brasileiro (Foto: César Greco / Palmeiras)
Alberto Valentim comandou o Verdão na reta final do Brasileiro (Foto: César Greco / Palmeiras)

Além disso, o treinador colocou Borja, contratação mais cara da história do clube, no banco de reservas. Discutiu e afastou Felipe Mello. Fatores estes que aliados a alguns coletivas ruins fizeram a diretoria demitir o técnico.

Para o seu lugar, os dirigentes promoveram Alberto Valentim. O ex-auxiliar comandou o clube até o final do ano, conseguindo o segundo lugar no nacional e vaga direta para a próxima Libertadores. Contudo, não foi mantido para 2018, ano em que o Verdão será comandado, a princípio, por Roger Machado.

SÃO PAULO: DA VOLTA DO MITO AO QUASE REBAIXAMENTO
A temporada começou agitada no Tricolor, com o retorno do maior ídolo do clube, Rogério Ceni, agora na função de treinador. O ‘Mito’, como é chamado pela torcida, trouxe auxiliares estrangeiros e uma filosofia de treinamentos tida como inovadora ou no mínimo pouco usual. O time viveu altos e baixos, mas não no geral não convenceu ninguém.

Ceni, aliás, só permaneceu até julho à frente do clube, devido ao respaldo do seu currículo como jogador. Porém, após seis rodadas sem vencer e dentro da zona de rebaixamento do Brasileirão, a diretoria se viu obrigada a fazer uma mudança. O ex-santista Dorival Jr. foi o escolhido e não decepcionou.

Rogério Ceni não emplacou como técnico do São Paulo (Foto: Bruno Ulivieri / Folha)
Rogério Ceni não emplacou como técnico do São Paulo (Foto: Bruno Ulivieri / Folha)

Com mais bagagem, conseguiu pouco a pouco aprimorar o São Paulo, enquanto time de futebol. É fato, que ele contou com um grande apoio de Hernanes, que dentro de campo deu novo ânimo e mais personalidade ao elenco. Houve ainda o apoio das arquibancadas. No final, o clube até sonhou com uma vaga na Libertadores, mas não foi possível. O saldo de Dorival no São Paulo, entretanto, foi positivo. Ele segue para 2018.

SANTOS: CAEM MEDALHÕES E SURGE O NOVATO
A exemplo do Palmeiras, o ano do Santos também foi decepcionante. O roteiro foi parecido, com a pequena diferença que o Peixe se mantém há mais tempo sem ganhar um título de expressão. A última grande conquista do clube foi em 2011, com o tri da Libertadores.

A esperança em 2017 era levantar pelo menos um troféu, até porque o time manteve a base do último ano e tinha Dorival Jr. à frente do time, um técnico que conhece como poucos os bastidores do clube.

Porém, o treinador não resistiu após o fracasso no estadual e um péssimo começo de brasileiro: três derrotas em quatro jogos. Para o seu lugar veio o experiente Levir Culpi, que acabou sendo eliminado em casa na Libertadores e, posteriormente, demitido depois de perder um clássico para o São Paulo. O ano do Peixe ainda teve Elano, recém-aposentado da carreira de jogador como técnico.

FORÇA DO INTERIOR
No interior de São Paulo a rotina de trocas não foi diferente. A tradicional Ponte Preta viveu um ano de altos baixos, no qual foi vice-campeã paulista e terminou rebaixada no nacional. Muito do 2017 da Macaca se explica devido as mudanças no comando.

A equipe teve quatro comandantes ao longo do ano: Felipe Moreira (ex-auxiliar de Eduardo Baptista), Gilson Kleina, João Brigatti (auxiliar fixo da comissão técnica) e Eduardo Baptista.

GUARANI: PERFIS DIFERENTES
A exemplo de sua arquirrival, o Bugre também teve quatro treinadores no ano. No início da temporada a diretoria apostou no promissor Mauricio Barbieri, que havia treinado o Red Bull Brasil nas últimas temporadas e conhecia bem o futebol de Campinas. Em seguida, o consagrado Vadão retornou, dando lugar, posteriormente, a Marcelo Cabo, último campeão da Série B.

Lisca 'Doido' evitou o rebaixamento do Bugre (Foto: Rafael Fernandes / Guarani)
Lisca 'Doido' evitou o rebaixamento do Bugre (Foto: Rafael Fernandes / Guarani)

No fim, coube a Lisca evitar um fim de ano ruim, salvando o clube do rebaixamento para Série C. Da expectativa do acesso no estadual e do retorno a elite nacional, só ficou a certeza de que trocar nem sempre é a solução.

As alterações fizeram o time jogar de formas distintas ao longo do ano, ficando difícil identificar um padrão de jogo.

NACIONAL: MUDANÇA QUE DEU CERTO
Tradicional clube da capital paulista, o Nacional teve autos e baixas na disputa da última Série A3, chegando, inclusive, a beirar a zona de rebaixamento. Sem conseguir fazer o time render, Alex Alves deu lugar a Tuca Guimarães. A troca resultou em um time mais aguerrido, que rapidamente entendeu a filosofia do novo treinador, terminando a competição como campeã.

GIGANTES CARIOCAS
O ano para os grandes cariocas também terminou aquém do esperado. Comandado por Zé Ricardo, o Flamengo foi estadual, mas só isso. Com um elenco que conta com diversos jogadores de renome como Diego, Guerrero, Everton Ribeiro, Juan, entre outros, o Rubro-negro não conseguiu títulos de expressão, fracassando, principalmente na Sul-Americana, onde acabou perdendo o título dentro de um Maracanã lotado.

Na ocasião, o time já era comandado por Reinaldo Rueda, técnico campeão da Libertadores em 2016 pelo Atlético Nacional-COL.

Após deixar o Fla, Zé Ricardo acertou com rival Vasco (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)
Após deixar o Fla, Zé Ricardo acertou com rival Vasco (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)

VASCO: VEM PRA CÁ ZÉ!
O Vasco terminou 2017 comemorando seu retorno a Libertadores. Ainda que a classificação seja para a fase pré, o Gigante da Colina vê a vaga como um prêmio para mais uma temporada sem brilho. Após ter Milton Mendes no comando, a diretoria trouxe Zé Ricardo, em um momento em que a conversa era mais um provável rebaixamento. Ainda houve tempo no ano para Valdir ‘Bigode’, ex-centroavante do time, comandar o Vasco em um clássico contra o Fluminense.

Outros grandes do estado, Botafogo e Flu, começaram e terminaram o ano com os mesmos técnicos, respectivamente, Jair Ventura e Abel Braga. Porém, neste caso, não foi sinônimo de sucesso. O clube das Laranjeiras escapou por pouco do descenso para Série B, enquanto o de General Severiano não conseguiu vaga na Libertadores.

INTERNACIONAL: PIOR DO QUE O ESPERADO
A previsão era de um ano ruim, mas, devido ao fato do clube disputar a Série B e somente por isso. Contudo, o retorno a elite se fez através de um caminho conturbado, que contou com três técnicos diferentes. A aposta inicial foi em Antônio Carlos Zago, que não consegui chegar na final do estadual. Em seguida, Guto Ferreira veio respaldo por bons trabalhos e empatia no clube, mas não conseguiu dar tranquilidade a torcida no nacional.

Por fim, Odair Hellmann, ex-auxiliar técnico, foi efetivado e encerrou o ano com o vice-campeonato da Série B, certamente um resultado que não era o esperado.Hellmann, entretanto, pegou a ‘barca’ e mostrou qualidade, tanto que foi efetivado para 2018.

Paulo César Carpegiani começou o ano como técnico do Coritiba
Paulo César Carpegiani começou o ano como técnico do Coritiba

FÓRMULA CERTA PARA O REBAIXAMENTO
Além da Ponte Preta, Atlético-GO, Avaí e Coritiba foram rebaixados no Campeonato Brasileiro. Incomum entre dois deles, a troca de comando em três momentos da temporada.

Somente o Avaí manteve o mesmo treinador ao longo do ano: Claudinei Oliveira. Tanto Atlético-GO, quanto Coritiba trocaram.

Os goianienses foram comandados por Marcelo Cabo, Doriva e Jão Paulo Sanches, enquanto os catarinenses por Paulo César Carpegiani, Pachequinho e Marcelo Oliveira.

FÓRMULA CERTA PARA O SUCESSO
Na contramão destes, os clubes que deram sequência a seus treinadores obtiveram sucesso. Além do já mencionado Corinthians de Fábio Carille, o Grêmio de Renato Gaúcho foi campeão da América e vice do mundo. O Cruzeiro de Mano Menezes levou a Copa do Brasil, enquanto o outrora rebaixado América-MG se reergueu como campeão da Série B, com o mesmo Enderson Moreira à frente.

 
 
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