Sindicato de Atletas SP no combate ao abuso e exploração sexual no esporte

“O Sindicato tem o compromisso de participar e fortalecer as campanhas municipais e federais para crianças e adolescentes"

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 30 (AFI) - O trabalho preventivo acontece através de palestras. No mês de maio, mais especificamente no dia 18 é o Dia Nacional do combate à Violência Sexual contra crianças e adolescentes. A data foi escolhida porque em 1973, em Vitória, capital do Espírito Santo, foi cometido o crime que chocou todo o país e ficou conhecido como “Caso Araceli".

Na época, a menina tinha 8 anos e foi violentada e morta. A data ficou marcada na história do povo capixaba e na memória de todos que lutam pela causa.

O Sindicato de Atletas de São Paulo tem como premissa cuidar de gente, e o cuidar não se dá apenas nos benefícios oferecidos para a categoria, vai muito além daquilo que é palpável.
Dentre as propostas da instituição vislumbrou-se um compromisso com um olhar humanizado nas relações sociais do trabalho e da vida dos atletas.

A coordenadora de projetos do sindicato, Anaile Ziccarelli, e a orientadora social Silvana G.S. Trevisan, que atuam no Projeto Expressão Paulista que faz parte do Centro de Formação Humana do Sindicato de Atletas SP, representam a entidade ativamente na Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes (CEMESCA), órgão da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da cidade de São Paulo, na construção dos eixos de intervenções de prevenção e enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.

COMPROMISSO

“O Sindicato de Atletas de SP, tem o compromisso de participar e fortalecer as campanhas municipais e federais para que as crianças e adolescentes que estão inseridas no mundo do esporte fiquem atentos em situações que violem seus direitos humanos e que tenham voz ativa e consciente para denunciar todo e qualquer tipo de violência”, afirma Silvana Trevisan.

“Sempre que aparece uma demanda, quando nós entendemos uma necessidade da categoria, não nos recusamos a trabalhar, essa apareceu com a vinda do Alê Montrimas, ex goleiro profissional. Ele trouxe o tema sabíamos que era um tabu, que iriamos mexer com uma questão delicada e para desenvolvê-lo pensamos numa estratégia para encorpar o trabalho. Começamos em escolas de futebol e depois, nas categorias de base dos clubes, o trabalho se expandiu”, disse Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato de Atletas SP.

Foto: Fabio Giannelli/Soccer Digital
Foto: Fabio Giannelli/Soccer Digital
Palestra realizada pelo Sindicato em 2017

BEM ACEITO

Para o ex-atleta e hoje palestrante do Sindicato de Atletas de SP, Alê Montrimas, o assunto foi bem aceito nos clubes.

“Na época eu procurei o Sindicato e pedi apoio para levarmos esse tema para dentro da base dos clubes que de prontidão foi aceito, desenvolvemos uma maneira de poder visitar os times e levar o conteúdo para os clubes de SP.

A instituição faz o trabalho preventivo atuando nos times das categorias de base com a palestra "Chega de abuso no Esporte".

"As pessoas conhecem as histórias de muitos ídolos, mas poucos sabem o que se passa na maioria dos clubes. E esse assunto tomou uma proporção que as pessoas não tinham ideia, não sabiam o que acontecia, dos abusos e assédios sexual nas categorias de base dos clubes profissionais e, dependendo da falta de estrutura, até nas equipes profissionais”, finaliza Alê Montrimas.

PALAVRA DO PRESIDENTE

Para o presidente do Sindicato, a responsabilidade da instituição é expandir tudo no que diz respeito à categoria.

“A responsabilidade que nós temos de cuidar de gente é assumida desde sempre, não fugimos de nenhum tema, principalmente no que diz respeito ao ser humano. Temos uma estrutura montada com as delegacias que cuidam da matéria e, se alguém em alguma palestra se manifestar que sofreu algum abuso ou assédio e quiser, fazemos o encaminhamento com nosso acompanhamento. Também direcionamos e acompanhamos na hora o atendimento psicológico”, completa o presidente do Sindicato de Atletas SP.

EXPERIÊNCIA

Outro marco de suma importância para o trabalho no combate ao Abuso e Assédio Sexual foi o evento Meeting Brasil – Inglaterra, que ocorreu no Museu do Futebol. O presidente, Rinaldo Martorelli, convidou o inglês Andy Woodward, ex-atleta de futebol, para contar a sua história sobre a violência sexual.

Andy foi abusado sexualmente pelo seu treinador durante 8 anos no período de formação esportiva e após sua denúncia, que ocorreu muito tempo depois, já quando ele havia deixado o futebol, foi que se desencadeou uma investigação e dela surgiu um projeto sobre o tema no Reino Unido.

Nesse evento, várias autoridades foram convidadas e dentre elas estava a procurador Claudio Lovato que é encarregada dentro do Ministério Público do Trabalho por essa questão do abuso e assédio.

PROCEDIMENTO OFICIAL

Após o Meeting Brasil – Inglaterra o Sindicato de Atletas SP foi convidado para algumas reuniões sobre o tema, e surgiu a necessidade de fazer um encaminhamento de um protocolo para criar um procedimento oficial para que fossem observados dentro dos clubes de futebol.
A proposta foi elaborada pelo Sindicato de Atletas SP para que seja sugerida aos clubes de futebol para que abordem e desenvolvam atividades com temas sociais que retratam a realidade brasileira fazendo parte do processo de formação esportiva.

Embora o esporte seja algo que faça parte da transformação social e os pais veem um futuro para seus filhos falta orientação. Muitos entregam o filho nas mãos de um desconhecido, pelo simples fato dele ser o treinador, que representa uma figura de confiança.

“A figura de autoridade, que tem domínio sobre o subordinado dá a ela o poder para fazer o quer. Treinadores, olheiros, médicos, diretores, agentes, etc. acabam de uma forma ou outra representando um poder no contexto do futebol. Os pais têm a visão que o filho jogando futebol vai virar um craque, ganhar milhões e salvar a família. Como eles vão questionar qualquer tipo de procedimento? É mais forte a necessidade de o filho virar um jogador profissional para Dar melhor condição financeira para a família”, esclarece Rinaldo Martorelli.

CUIDADO NA BUSCA DO SONHO

O fato é que os pais “investem” neste sonho, o futebol é uma paixão que envolve todas as classes sociais.

“Muitas vezes na busca dessa possível realização, que é a de ter o filho famoso e rico, não medem sacrifícios e acabam confiando em pessoas mal-intencionadas que vendem a ilusão com a promessa de possibilidade avaliações (peneiras) nos grandes clubes brasileiros”, completa Silvana Trevisan, Orientadora Social do Sindicato.

PREVENÇÃO

O trabalho de enfrentamento e combate ao Assédio e o Abuso Sexual no Esporte desenvolvido pelo Sindicato de Atletas de SP tem como objetivo a prevenção no âmbito dos clubes e escolinhas e chamar a atenção do Poder Público e dos clubes de futebol de SP quanto a fato tão grave.

Tem o objetivo de também extirpar do esporte as figuras tão nocivas do assediador e do abusador e o Sindicato de Atletas SP não mede esforços para buscar o resultado de mais uma transformação social importante para todos.